Bombadeira é o documentário dirigido por Luis Carlos de Alencar e que traz a realidade vivida por muitas travestis e transexuais na Bahia. Uma história dolorosa e que deveria despertar a atenção, principalmente, das autoridades competentes.
Bombadeiras são pessoas que trabalham aplicando silicone no corpo das travestis e transexuais. Segundo o documentário, muitas travestis recorrem a este meio perigoso de aplicar silicone no corpo para poder trabalhar como profissional do sexo. Segundo elas, os homens preferem aquelas que possuem o corpo feminino melhor definido e de todas as partes do corpo a mais importante é o quadril. Isso provoca uma disputa e quem coloca mais silicone é mais “poderosa”.
A maioria das travestis e transexuais do filme pratica o candomblé como religião e uma delas explica o motivo: é a única religião que nos aceita. Antes de passar pela transformação, uma delas conta que foi expulsa da igreja evangélica. E a questão com a religião é tão forte que algumas bombadeiras não aplicam silicone se a paciente afirmar que o Seu Orixá não permitiu que ela fizesse isso.
São muitas as histórias sobre os erros e acertos da utilização deste método. Segundo MARA (PAI NENEM) o pai a obrigou tirar o silicone e num processo doloroso de sucção mamária, ele (o pai) retirou todo o líquido utilizando uma seringa e um dreno. Outra obteve uma infecção após a aplicação do silicone tendo de ser internada, passando por diversos processos cirúrgicos para retirada do líquido. E hoje não pode trabalhar como profissional do sexo por causa das cicatrizes na região torácica.
Segundo as próprias bombadeiras, o trabalho que elas desenvolvem é de extrema importância. Porque esse é o único meio de travestis sobreviverem com o trabalho sexual e a única maneira de transexuais pobres chegarem a um corpo desejado e feminino.
Elas dizem também que o trabalho como profissional do sexo hoje, está muito difícil. Isso se dá por causa da facilidade das relações sexuais através das salas de bate-papo. Por isso, muitas sem opção, acabam tendo de recorrer a aplicação do silicone industrial.
O que mais me emocionou foi o comentário de uma transexual de classe média baixa que estudava numa escola pública e transferiu-se para uma escola particular porque, segundo ela, a professora da escola pública não a ensinava e não fazia questão de ensinar nada. Conta que foi vítima de preconceito na sala por parte dos colegas e que a professora não tomava partido. O sonho dela é ser veterinária e viver melhor.
Essa é uma realidade que muitas travestis e transexuais vivem. Infelizmente, muitas saem do Brasil para realizar cirurgias fora. Pergunto-me: Quantas pessoas já morreram, foram mal atendidas nos hospitais, sofreram e ainda sofrem por causa dessa situação? Não seria interessante se o governo realizasse campanhas e se comprometesse com essa população? Lógico que seria. Mas a realidade é que essas mulheres não passam de um ser abjeto, de um ser qualquer. E ninguém está nem aí se um ser desses deixa de existir.
Isso é lamentável!























